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Uma pegada mais forte

07/08/2015
Araraquara / SP
Tetê Viviani
Foto: Tetê Viviani

A primeira partida entre Ferroviária Fundesport e São José pelas quartas de final do Campeonato Paulista no sábado, dia 1º de agosto de 2015, mexeu com a exigente torcida grená.

Com o resultado adverso desde os primeiros sete minutos  quando o São José marcou com a ala Yasmin, a Ferroviária correu atrás da igualdade durante os outros 83 minutos mais os cinco minutos de acréscimos.

Bem postado na defesa e com um ataque rápido, o São José acreditava no contragolpe, enquanto a Ferroviária ia pelas beiradas do campo levantando bolas na área adversária. Algumas com perigo e outras fáceis de serem aliviadas.

Logo, o incentivo da torcida grená se transformou em pressão sobre as atletas e comissão técnica exigindo uma pegada mais forte.

Imagine. Como o futebol cadenciado e bonito da equipe tetracampeão paulista, campeã da Copa do Brasil e do Campeonato Nacional teria que apelar e abrir a “caixa de ferramentas” para conter o ataque do São José?

Essas atitudes provocam reflexões. Tecnicamente ganhamos tudo com futebol de toques carinhosos na bola, goleadas com estilo sem humilhar as adversárias. Base da seleção brasileira em Mundial e no Pan de Toronto, Canadá. E agora vamos evoluir ou praticar o antifutebol das equipes desesperadas?

O técnico Leonardo Mendes deve preparar ofensivamente a equipe para a segunda batalha em São José neste sábado (8) para reverter o placar adverso de 1 a 0.

Independente do resultado torcemos para que o futebol da Ferroviária honre suas origens de toques carinhosos, lealdade nas divididas, respeito a arbitragem, pois com isso ganhamos tudo neste País.

Origens

Uma voltinha no túnel do tempo e entramos na sala do presidente da Ferroviária, Antônio Eugênio da Gama, no prédio da Avenida Duque de Caxias, entre as ruas São Bento e Padre Duarte, naquele agitado ano de 1978.

“Presidente pretendemos realizar um festival de futebol feminino na Fonte Luminosa com equipes de São Paulo, da região de Arthur Alvin e de Araraquara”, propôs o diretor do União Skina, Adair Pavanelli.

Com um sorriso franco e amigo, Gama não titubeou em contestar a legalidade do evento. “O Conselho Nacional dos Desportos, o CND, proíbe o futebol feminino e nos temos que acatar a norma”, justificou.

Evidente que Gama serviu o café e quis saber sobre o desempenho das equipes de base do União Skina EC, que ele acompanhava de perto aos sábados, no Estádio Doutor Luiz Bento Palamone, na Vila Xavier.

O decreto lei elaborado pelo Estado Novo, na década de 40, e que foi revogado em 1979 impedia “a pratica de esportes incompatíveis com a natureza feminina”.

Em 1980, surgia o futebol feminino na cidade entre as associadas do Clube 22 de Agosto. Na mesma época a modalidade chegou ao futebol de campo com o pioneiro Mazzaropi e o time liderado pela Tereza Zanin.

A falta de adversários para amistosos era o problema e que persiste até hoje.

O esportista Everaldo Soares, o Corotinho, insistiu e com apoio do presidente Parelli da Ferroviária tentou alavancar, sem sucesso, a modalidade em 1990.

A partir dos anos 2000, o futebol feminino ganhou mais visibilidade, inclusive com equipes mistas juntando meninos e meninas.

Com o ex-zagueiro Fernando Paolillo e o ex-atacante Paulinho Taiuva no comando técnico, a Ferroviária conquistou os primeiros três títulos paulistas e revelou para o Brasil a zagueira Andréia Rosa.

Outra revelação, fora de campo, é o poder de articulação do ex-meia Fabrício Maia, da Ferroviária, atual coordenador da Seleção Brasileira, campeã no Pan, em defesa da profissionalização da modalidade.

Fabrício debate com deputados e senadores a inclusão da obrigatoriedade dos clubes de manter as categorias de base e o futebol feminino em contrapartida a renegociação das dívidas fiscais dos clubes.

Portanto, a força do nosso futebol feminino tem raízes históricas e está à frente das grandes decisões sobre o destino da modalidade no Brasil.

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