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Honório perde o ônibus, mas não a paixão pela Ferroviária

04/02/2016
Araraquara / SP
Tetê Viviani

Assim que acaba o jogo a Polícia Militar evacua o estádio o mais rápido possível e escolta as caravanas da torcida visitante até as rodovias evitando quaisquer atritos entre torcedores da casa com os de fora. Evidente que nesse script não há tolerância da PM com torcedores retardatários e nesse roteiro Honório Dakuzaku já perdeu o ônibus algumas vezes.

“Foi em abril do ano passado em Guaratinguetá a vez mais recente que eu fiquei para trás”, conta humorado Dakuzaku, após comprar ingresso para o jogo Ferroviária e Mogi Mirim na quinta-feira, dia 4 de fevereiro, quando a Ferroviária volta a jogar em casa na divisão da elite do futebol paulista depois de vinte anos.

“A Ferroviária ganhou de 1 a 0 do Guaratinguetá e os jogadores ficaram comemorando próximos ao alambrado com a torcida e depois com os diretores no gramado, ai aproveitei fui comprar água e quando voltei o ônibus já tinha ido embora. Por sorte, alguns amigos me deram carona e na Rodovia Dom Pedro encontramos o ônibus estacionado em um posto à minha espera”, recorda sorrindo.

Outra vez foi em Itapólis e, faz algum tempo, quem o resgatou foi o lendário Olivério Bazani Filho. “O Bazani era o técnico e percebeu que eu estava perdido sem ônibus. Então eu voltei com o time mesmo”, relata emocionado ao lembrar-se do ídolo da Ferroviária.

Frequentador da Fonte Luminosa desde 1958, Honório encontra dificuldades em escalar os melhores atletas da Ferroviária que ele viu em ação: Machado, Sérgio Bergantin e Abelha; Baiano e Balu, Fernando Paolillo, Vica e Mauro Pastor, Rossi (o Coquinho que veio de Rio Preto) e Fogueira. No meio de campo cita Dudu e Paulo Martins, Bazani, Douglas Onça, Zé Roberto e no ataque Valdir, Passarinho, Washington, Téia, Marcão, Pio e Nei, arrisca uma lista com muitas opções.

“Em 1966 fomos ao Pacaembu de ônibus contratado pelo dono da Retifica Graciano, da qual eu era torneiro mecânico. Ganhamos do XV de Piracicaba numa noite de muita chuva e o chefe da torcida afena, o Tabu, soltou um tatuzinho vivo no meio da torcida. Também fui para Brasília na Taça de Ouro, lá foi 0 a 0 e aqui nós ganhamos”, recorda o aposentado de 77 anos.

Honório acredita na permanência da Ferroviária na Série A1. “Acompanhei os treinos e gostei da defesa. O campeonato será difícil, pois caem seis times e nós temos que permanecer para depois pensar numa vaga para o Brasileiro”, projeta otimista.

Tranquilo, calmo e com mobilidade reduzida, devido a acidente com todo em 1984, Honório não se preocupa se perder o ônibus novamente, o que ele não abre mão é da paixão pela Ferroviária.

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